quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Prefeita de Abaetetuba agride coordenadores do SINTEPP



Abaetetuba, 20 de agosto de 2014. Mais uma data que irá marcar na história destes 119 anos de município. Nós profissionais da educação pública municipal, em greve desde 19 de maio deste ano, cansados e sem solução para nossas reivindicações, na tentativa de dialogar com a gestora municipal, que se nega a conversar com os trabalhadores da educação, fomos hoje ao auditório do Colégio São Francisco Xavier onde a mesma se encontrava em um evento. Entramos lá e ao perceber nossa presença e dos alunos daquele estabelecimento de ensino que se organizavam para também solicitar diálogo e dizer NÃO à greve, a referida prefeita e seus assessores acionaram a polícia e ela se retirou do local. Ao sair, agrediu verbalmente a coordenadora do SINTEPP (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará) a senhora Waldira Calado Dias, chamando-a de vagabunda e agrediu fisicamente o coordenador João Dos Santos Andrade.

João teve a camisa rasgada, arranhões pela barriga e o óculos quebrado.













Absurdo o que presenciamos hoje, quando a Constituição Federal, maior legislação brasileira, em seu artigo 8º inciso III e VI diz que:
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas;
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;
Mas não há diálogo com ela, nunca houve.
Nos artigos seguintes da lei, trata dos direitos de estudar e o dever do poder público e da família, sendo que neste caso o poder público está retirando algo de muito importante para o desenvolvimento da sociedade que é a educação para todos e de qualidade, como podemos ver nos artigos a seguir.
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
A gestora deste município, está também rasgando a LDB (Lei de Diretrizes e Base da Educação Brasileira) que trata da qualidade do ensino, valorização dos profissionais etc. Pois, durante seis anos de gestão não promove aperfeiçoamento profissional continuado aos profissionais da educação e nem condições adequadas de trabalho. Confira nos incisos a seguir:

LDB Lei nº 9.394 de 20 de Dezembro de 1996

 IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a variedade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem.
Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público:
I - ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos;
II - aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim;
III - piso salarial profissional;
IV - progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na avaliação do desempenho;
V - período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho;
VI - condições adequadas de trabalho.
A gestora também rasga o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), quando não assegura com prioridade os direitos fundamentais referentes à saúde, educação, lazer etc. pois a mesma vetou todos os acordos que houve entre sindicato, secretariados municipais e poder legislativo municipal. A saúde está precária e a educação está em greve há 35 dias letivos. E a propaganda do governo diz que “TÁ MELHOR” mas ocorre assassinatos quase que diariamente neste município. Como pode estar melhor diante dessa situação?   Veja o que diz o ECA:

Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências.
Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:
a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;
b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;
c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;
d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude.
O cartaz que o aluno segura pede: Ajude a educação, por favor, greve não!
 Eu, Ana Maria, professora concursada, trabalho neste município há mais de 18 anos e sinceramente nunca vi atitude igual vindo de uma gestora que tem formação na área da saúde como psicóloga. Mostrou total desrespeito e desequilíbrio diante de uma categoria de profissionais que só querem fazer valer os direitos constitucionais, tanto dos discentes quanto dos docentes que estudaram e fizeram concurso para atuarem na educação. Quero aqui deixar minha solidariedade aos professores Waldira e João Andrade pelo ato de violência do poder público municipal contra a classe trabalhadora da educação municipal.
Eu queria ver minha cidade crescer, mas crescer com desenvolvimento, com expectativa de um futuro melhor. Isso é possível. Sou mãe de quatro filhos e três deles já foram embora desta cidade porque aqui não tem como avançar. A cada dia cresce o número de violência, a prostituição infantil, a droga etc., e o poder público pode e deve fazer algo para melhorar, para mudar. Vejo essa melhora em outros lugares e me pergunto: Por que aqui não acontece?
Prefeita de Abaetetuba, a senhora foi eleita para cuidar desta cidade, do seu povo como um todo e não somente de um grupo que está sendo conivente com a situação de descaso social.
INDIGNADA ESTOU, E TRISTE TAMBÉM!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Abaetetuba, educação pública municipal em greve desde 19 de maio!

 Abaetetuba, município localizado no nordeste do Estado do Pará, na micro região tocantina, o 8º município mais populoso do Estado com mais de 150 mil habitantes distribuídos na zona citadina e na zona rural do município. Outrora, este município já vivera do extrativismo vegetal, da caça, da pesca, da agricultura rudimentar etc. Atualmente, a ausência de um planejamento municipal eficiente com  políticas públicas voltadas para a população, tímidas ações na área da educação, saúde e segurança, colaboram para o aumento da violência no município, concentrando sérios problemas de ordem econômica e social. Dentre os quais  podemos citar a violência urbana com frequentes assassinatos, o fluxo de drogas e a prostituição de menores, dentre outros. Essa situação é visível a todos que residem nesta localidade e conhecem a história de 119 anos de fundação completados no último dia 15 de agosto.  
Audiência -vereadores, Sintepp e governo.
O descaso com a população desta cidade é comprovado quando aqui noticiamos que, desde 19 do mês de maio do corrente ano, a educação pública municipal encontra-se em greve. Os profissionais da educação junto ao SINTEPP (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará), travaram uma luta em prol de direitos que estão sendo retirados, tanto dos alunos quanto dos professores (as). Direitos como o de ter um ambiente adequado para estudar e para ensinar, merenda de qualidade, formação continuada para os profissionais, concurso público e, principalmente, a valorização do magistério da educação básica do quadro municipal. Sendo que este ano todos os professores estão com seus vencimentos rebaixados 5%,  o que desmotiva e é prejudicial para a vida dos profissionais.
Além disso, os espaços de sala de aula, em sua maioria, estão necessitando de reformas, e onde já houve tal reforma não resolveu porque foram mal projetadas e até o momento a gestão pública não prioriza fazer reparos simples, mas que faria diferença no dia a dia do trabalho escolar e do aprendizado das crianças. Como exemplo, citamos a inexistência de ajustes nas instalações elétricas de algumas escolas, dentre essas escolas, está a Escola Gov. Magalhães Barata  na qual houve reforma em 2011 com centrais de ar em todos os espaços mas que funciona precariamente porque necessita de um transformador para equilibrar a energia e o funcionamento da mesma. E sem esses  reparos nós professores e alunos temos que trabalhar e estudar em salas adaptadas para centrais de ar os quais não funcionam e assim causam sofrimentos como problemas de saúde tanto para professores quanto para os alunos.
Diante desse caos, os profissionais da educação, cruzaram os braços desde 19 de maio na tentativa de por meio de diálogo com os gestores, resgatar direitos que estão sendo violados. Semana passada, recorremos aos poder legislativo municipal e todos os vereadores nos apoiaram e junto com secretários municipais buscaram diálogo direto com a prefeita deste município para solucionar o problema. E diante da situação os secretários chegaram a um acordo mas a prefeita vetou e hoje tivemos mais uma resposta negativa, somente a prefeita vetou, e todas as possibilidades de negociação para retomar o ano letivo esgotaram-se. Por isso a greve continua e as crianças de Abaetetuba estão sem estudar porque até a presente data não há resposta positiva do governo municipal, no sentido de encerrar a greve e retomar às aulas.
Obs: Julho é o mês de férias escolares em todo o Brasil, portanto, não há dia letivo nesse mês.
Ocupação do prédio da prefeitura no dia da audiência.

Documento recebido hoje - resposta da prefeita.
Na câmara municipal.
  "Diante da justiça os políticos reconheceram seus compromissos de campanha. A prefeita como bandeira de campanha enfatizava a prioridade pela educação, portanto ela está infringindo as leis quando, justamente para se tratar da educação, descarta a LEI 9394/96 se amparando para tal descaso a lei 11.738/2008.
Art. 3º. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte
e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII - valorização do profissional da educação escolar;
VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos
sistemas de ensino;
IX - garantia de padrão de qualidade;
X - valorização da experiência extraescolar;
XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.
A valorização do profissional da educação escolar, desmembrada no artigo 67 também é pensado na aprendizagem do aluno. O professor bem remunerado não tem que fazer bico, ou se desdobrar pra ganhar mais, porque o salário do professor não dar pra se manter. O professor bem remunerado tem tempo pra preparar uma boa aula, tem tempo pra buscar recursos pra dinamizar o ensino/aprendizagem. Quem ganha com isso, é o aluno, é o município."
 Esta última redação foi copiada do comentário de Egidia Maria, no Facebook.
LEIA MAIS AQUI: Sintepp Subsede Abaetetuba

terça-feira, 17 de junho de 2014

PRIMEIRO SEMESTRE DE 2014 - CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA!

Apresentação de jogral


Assistindo a vídeos

Todo ano a Escola Magalhães Barata faz a celebração da Páscoa com os alunos. O maior objetivo dessa celebração é mostrar aos mesmos a importância desse momento que é refletir sobre a morte e ressurreição=vida nova de Jesus Cristo. Para nós cristãos, a Páscoa é a passagem de Jesus Cristo da morte para a vida: a Ressurreição, e também a passagem de Deus entre nós.
 Este ano os alunos assistiram a vídeos e realizaram pequenos jograis para homenagear e lembrar Daquele que deu a vida pela humanidade, Cristo ressuscitado. Esse momento conta com a participação da comunidade escolar como um todo, familiares dos alunos e profissionais da escola e do entorno.

PRIMEIRO SEMESTRE DE 2014 NA ESCOLA!

Aqui aulas de pesquisa ao dicionário e seminários sobre o art. 5º da Constituição Federal Brasileira.
Muito gratificante ensinar para quem gosta de aprender. A turma do 4º ano da manhã é um exemplo de alunos que apreciam as aulas e gostam de desafios, como seminários e as pesquisas, dentro e fora da escola. Parabéns a esses pequenos estudantes! Nosso orgulho!





PRIMEIRO SEMESTRE DE 2014 NA ESCOLA!

Aulas sobre a história do nosso município=Abaetetuba-Pa.

Aulas em vídeo e PowerPoint.
Este ano de 2014, as aulas na Escola Magalhães Barata tiveram início no dia 07 do mês de fevereiro com a chamada dos alunos e apresentações do espaço escolar e dos profissionais, aos alunos e pais dos mesmos. A partir desse dia as aulas tiveram sequência com atividades diárias dos conteúdos que fazem parte da grade curricular nacional e que são organizados  pela Secretaria Municipal de Educação (SEMEC) de Abaetetuba-Pa.
Vejamos alguns momentos com nossos alunos em sala de aula.
História do nosso município em vídeo, e PowerPoint-4º E 5º ANOS.

O 4º e 5º anos da tarde.                                                                                                              



Aulas show de bola. As crianças gostam e é mais interessante ensinar e aprender quando utilizamos os recursos tecnológicos.

BOA LEITURA, COM LEONARDO BOFF!

Quem envergonhou o Brasil aqui e lá fora?

Pertence à cultura popular do futebol a vaia a certos jogadores, a juízes e eventualmente a alguma autoridade presente. Insultos e xingamentos com linguagem de baixo calão que sequer crianças podem ouvir é coisa inaudita no futebol do Brasil. Foram dirigidos à mais alta autoridade do pais, à Presidenta Dilma Rousseff, retraída nos fundos da arquibancada oficial.

Esses insultos vergonhosos só podiam vir de um tipo de gente que ainda têm visibilidade do pais, “gente branquíssima e de classe A, com falta de educação e sexista’ como comentou a socióloga do Centro Feminista de Estudos, Ana Thurler.
Quem conhece um pouco a história do Brasil ou quem leu Gilberto Freyre, José Honório Rodrigues ou Sérgio Buarque de Hollanda sabe logo identificar tais grupos. São setores de nossa elite, dos mais conservadores do mundo e retardatários no processo civilizatório mundial, como costumava enfatizar Darcy Ribeiro, setores que por 500 anos ocuparam o espaço do Estado e dele se beneficiaram a mais não poder, negando direitos cidadãos para garantir privilégios corporativos. Estes grupos não conseguiram ainda se livrar da Casa Grande que a tem entrenhada na cabeça e nunca esqueceram o pelourinho onde eram flagelados escravos negros. Não apenas a boca é suja; esta é suja porque sua mente é suja. São velhistas e pensam ainda dentro dos velhos paradigmas do passado quando viviam no luxo e no consumo conspícuo como no tempo dos príncipes renascentistas.
Na linguagem dura de nosso maior historiador mulato Capistrano de Abreu, grande parte da elite sempre “capou e recapou, sangrou e ressangrou” o povo brasileiro. E continua fazendo. Sem qualquer senso de limite e por isso, arrogante, pensa que pode dizer os palavrões que quiser e desrespeitar qualquer autoridade.
O que ocorreu revelou aos demais brasileiros e ao mundo que tipo de tipo de lideranças temos ainda no Brasil. Envergonharam-nos aqui e lá fora. Ignorante, sem educação e descarado não é o povo, como costumam pensar e dizer. Descarado, sem educação e ignorante é o grupo que pensa e diz isso do povo. São setores em sua grande maioria rentistas que vivem da especulação financeira e que mantém milhões e milhões de dólares fora do país, em bancos estrangeiros ou em paraísos fiscais.
Bem disse a Presidenta Dilma: “o povo não reage assim; é civilizado e extremamente generoso e educado”. Ele pode vaiar e muito. Mas não insulta com linguagem xula e machista a uma mulher, exatamente aquela que ocupa a mais alta representação do país. Com serenidade e senso de soberania pessoal deu a estes incivilizados uma respota de cunho pessoal:”Suportei agressões físicas quase insuportáveis e nada me tirou do rumo”. Referia-se às suas torturas sofridas dos agentes do Estado de terror que se havia instalado no Brasil a partir de 1968. O pronunciamento que fez posteriormente na TV mostrou que nada a tira do rumo nem a abala porque vive de outros valores e pretende estar à altura da grandeza de nosso país.
Esse fato vergonhoso recebeu a repulsa da maioria dos analistas e dos que sairam a público para se manfiestar. Lamentável, entretanto, foi a reação dos dois candidatos a substitui-la no cargo de Presidente. Praticamente usaram as mesmas expressões, na linha dos grupos embrutecidos:”Ela colhe o que plantou”. Ou o outro deu a entender que fez por merecer os insultos que recebeu. Só espíritos tacanhos e faltos de senso de dignidade podiam reagir desta forma. E estes se apresentam como aqueles que querem definir os destinos do país. E logo com este espírito! Estamos fartos de lideranças medíocres que quais galinhas continuam ciscando o chão, incapazes de erguer o voo alto das águias que merecemos e que tenham a grandeza proporcional ao tamanho de nosso país.
Um amigo de Munique que sabe bem o portugues, perplexo com os insultos comentou:”nem no tempo do nazismo se insultavam desta forma as autoridades”. É que ele talvez não sabe de que pré-história nós viemos e que tipo de setores elitistas ainda dominam e que de forma prepotente se mostram e se fazem ouvir. São eles os principais agentes que nos mantém no subdesenvolvimento social, cultural e ético. Fazem-nos passar uma vergonha que, realmente, não merecemos.
Leonardo Boff professor emérito de Etica e escritor.
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